terça-feira, 29 de julho de 2008

(Pré) Conceito

Se para alguma coisa serviu até agora o mestrado foi para aprender uma coisa, uma nova forma de encarar e ver o Direito. E, quem diz o Direito diz qualquer outra realidade.

Quando nos deparamos com um problema, uma realidade, temos uma necessidade incrível de partir para a sua análise com a conclusão feita, com um pré-entendimento, uma pré-opinião, uma pré-qualificação…

A isto se chama método conceptual: parte-se do conceito, da qualificação, da definição…

Este método é errado sobretudo por duas razões: partindo do conceito ficamos presos a ele durante toda a análise, tudo se justifica e se reconduz ao conceito préentendido e dele não podemos fugir… por outro lado, o conceito em si mesmo é necessariamente conclusivo e, uma conclusão só pode nascer da análise do conjunto das premissas… significa isto que apenas faz sentido etiquetar, qualificar, atribuir um nome, um rótulo, depois de analisar cada parte do todo…

Os preconceitos são assim.. Pré-conceitos.. ideias e qualificações prévias à análise e ao conhecimento da realidade.. P.e.

1º Conceito – esta cama é muito feia!!

2º Análise:
Cor- castanha.. é uma cor feia…
Forma – redonda… formato feio
Lençóis – brancos… feios…

Como se vê, a cor p.e. até pode nem ser feia… mas como se partiu do conceito, tal determinou uma análise algo viciada da realidade…

Dizia eu.. os pré-conceitos são assim.. ideias feitas e que são geralmente adoptadas por uma maioria…

E sabem o que é pior nos preconceitos?

É quando eles são tão fortes, tão enraizados que os próprios alvos, a realidade em si, se auto-preconceita… quando a própria realidade assume o preconceito contra si própria…

Logo a própria realidade que sabe, que devia saber, que não há fundamento para essa ideia pré-feita…!!! Ora, se assim é, como é que se pode exigir que os outros não o façam?

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